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01/02/2010 - 13h    
 

Morre ex-deputado Erasmo Dias

 
*Antonio Sério Ribeiro  
 

Diário Oficial Poder Legislativo Quarta-feira, 6 de janeiro de 2010.

Faleceu na noite do dia 4 de janeiro, no hospital A.C. Camargo, o ex-deputado Antônio Erasmo Dias. O ex-deputado nasceu na cidade de Paraguaçu Paulista (SP), no dia 2 de junho de 1924, filho de Antônio Augusto Dias e de Elza Gieseler Cioffi Dias. Desde cedo tinha vocação para a carreira militar. Ainda jovem foi para o Rio Grande do Sul fazer o curso secundário na Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre, ingressando no Exército em 1940. Transferindo-se pata o Rio de Janeiro, fez o curso de formação de oficiais na Escola Militar do Realengo e posteriormente na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), quando suas instalações foram para a cidade fluminense de Resende. Formou-se na primeira turma da AMAN, em 1945.
No ano de 1957, passou a lecionar. Em 1961, fez cursos na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e também na Faculdade de Filosofia da então Universidade da Guanabara. No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP). A partir de 1962, quando era comandante da 3ª Bateria de Obuses de Costa, em Guarujá (SP), participou como um dos líderes da conspiração, na Baixada Santista, contra o governo de João Goulart (1961-1964). Na ocasião do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou Goulart, chefiou a ocupação por tropas do Exército da refinaria Presidente Bernardes, da Petrobras, em Cubatão (SP).

Secretário de Segurança

Em fins de 1968, participou do cerco a Ibiúna (SP), durante o 20° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que resultou na prisão de quase 800 participantes. Ainda em 1968, Erasmo Dias se tornou comandante do 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, em Praia Grande (SP), onde permaneceria até 1971.
Com o recrudescimento das denominadas atividades subversivas no Brasil, participou do cerco ao guerrilheiro Carlos Lamarca, do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), na cidade de Registro (SP), em maio de 1970. Em 1973, assumiu a chefia do Estado-Maior do Comando de Artilharia de Costa e Antiaérea da 2ª Região Militar, em Santos, cargo que exerceu até o ano seguinte.
Em abril de 1974, Dias foi nomeado pelo governador Laudo Natel Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, passando para a reserva no posto de coronel do Exército. No governo Paulo Egídio Martins foi mantido no cargo de secretário e ocupava o cargo em 1975, quando morreram no Departamento de Operações Internas do Centro de Operações para a Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo o operário Manuel Fiel Filho e o jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura. Na ocasião, eximiu-se de qualquer responsabilidade, declarando que nada tinha que ver com esses fatos, de competência do II Exército.
Em setembro de 1977, em um episódio que ganhou notoriedade jornalística em todo o Brasil, comandou a invasão policial da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Quando centenas de pessoas se reuniam a pretexto de uma assembléia estudantil pata a recriação da UNE.

Carreira no Legislativo

Para as eleições de 15 de novembro de 1978, seu nome foi lançado pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar, a uma cadeira de deputado federal e, em maio desse ano, desincompatibilizou-se do cargo de secretário de Segurança Pública. Foi o terceiro deputado federal mais votado pela Arena, com 152.972 votos. Após a eleição, retornou à pasta de Segurança Pública de São Paulo e somente assumiu o mandato em março do ano seguinte. Na Câmara dos Deputados, foi presidente da Comissão de Segurança Nacional e suplente da Comissão de Fiscalização financeira e Tomada de Contas.
Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena. Concorreu à reeleição em novembro de 1982, mas obteve apenas a 5ª suplência, retirando-se da Câmara dos Deputados em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura.

Deputado estadual

Em 15 de novembro de 1986, elegeu-se deputado estadual constituinte pelo PDS, com 51.794 votos. Teve destacado trabalho na elaboração da Constituição do Estado de São Paulo, inclusive aprovando um projeto elaborado em conjunto com a bancada do Partido dos Trabalhadores. Reeleito quatro anos depois, com 49.958 votos, para a legislatura de 1991-1995, foi líder do PDS na Assembléia paulista.
Em 1993, ingressou no Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC). Em outubro de 1994, elegeu-se deputado estadual pela terceira vez consecutiva, com 28.178 votos, exercendo a liderança do PPR. na Alesp, para a legislatura 1995-1999. Em agosto de 1995, ingressou no Partido Progressista Brasileiro (PPB), agremiação criada a partir da fusão do PPR com o Partido Progressista (PP). Em 1996, foi líder do PPB na Assembléia.
Em agosto de 1996, Dias defendeu o reconhecimento e indenização das famílias de vítimas da guerrilha durante o regime militar, de acordo com a proposta do deputado federal petista Nilmário Miranda, membro da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça.
Representante da "bancada da polícia", que contava com oito parlamentares durante essa legislatura, em 1997 integrou as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) da violência policial em Diadema e do crime organizado. Erasmo Dias não conseguiu se reeleger em outubro de 1998. Deixou a Assembléia Legislativa em março do ano seguinte, ao final da legislatura.
Nas eleições de 2000, foi eleito vereador à Câmara Municipal de São Paulo, com 23.860 votos, para a legislatura de 2001-2004, pelo PPB. Foi integrante da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, de Defesa da Criança e do Adolescente, Administração Pública, de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, e de Segurança Pública no legislativo municipal. Tentou mais uma vez a reeleição, ao cargo de vereador, mas ficou apenas como suplente. Ao termino da legislatura, deixou o "Palácio Anchieta", dedicando-se apenas a atividades privadas.
Fez cursos de Matemática, História e Economia e foi professor na Universidade Cândido Mendes (RJ) e em Santos. Foi casado com Maria Ondina Fernandes Dias, e foi pai de seis filhas. Entre seus trabalhos publicados destaca-se o livro "A educação e o ensino no período colonial".
O corpo do deputado Erasmo Dias foi velado no Hall Monumental do Palácio 9 de Julho, sede da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, trasladado pata a cidade de Santos e sepultado, no dia 5 de janeiro, no cemitério do Paquetá, naquela cidade.

*António Sérgio Ribeiro é advogado, procurador e diretor do Departamento de Documentação e informação da Assembléia Legislativa

 
   

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